Sound design: o que é e como usar na edição de vídeo
Um bom som deixa qualquer vídeo mais envolvente. Entenda o que é sound design, para que serve na edição e como dar os primeiros passos.

Já reparou que um vídeo pode ter imagens lindas e, mesmo assim, parecer sem graça? Muitas vezes, o que falta é sound design: o cuidado com cada som que chega ao ouvido de quem assiste.
E não precisa ser nenhum engenheiro de som para começar. Com um fone de ouvido, alguns efeitos gratuitos e um pouco de atenção, dá para mudar o resultado de uma edição.
Neste post, a gente explica o que é sound design, para que ele serve na edição de vídeo e como dar os primeiros passos, com exemplos práticos. Vem com a gente!
O que é sound design?
A resposta curta é: sound design (ou design de som) é a criação, a escolha e a organização de todos os sons de um vídeo para contar a história e criar sensações. Ele vai muito além de simplesmente colocar uma música de fundo.
Em um vídeo, o som costuma se dividir em cinco elementos:
Diálogo: falas, entrevistas e narração.
Trilha sonora: a música que dá ritmo e emoção.
Efeitos sonoros: sons que reforçam ações, cortes e transições, como impactos e passagens rápidas.
Foley: sons do dia a dia adicionados na edição, como passos, roupas e objetos.
Ambiência: o som do lugar, como trânsito, vento ou o burburinho de um café.
O sound design junta tudo isso na timeline e decide o que entra, quando entra e com qual volume. Para entender a base desse trabalho, vale conferir a aula Os tipos de som, do curso Sound Design para Edição de Vídeo, com o professor Mateus Ferreira.

Para que serve o sound design na edição de vídeo
Quem assiste nem sempre percebe o sound design. Mas sente quando ele falta. Na prática, ele serve para:
Criar imersão: a ambiência e o foley fazem a pessoa acreditar que está dentro da cena.
Dar ritmo: efeitos e música marcam os cortes e ajudam a guiar o olhar.
Despertar emoção: a trilha certa muda o clima de uma cena inteira.
Suavizar transições: um som que começa antes da imagem, ou continua depois dela, deixa a passagem entre cenas mais natural.
Esse último truque é muito usado na montagem, e combina com os diferentes tipos de corte.
A trilha também conta história. A aula Construindo Emoção e Narrativa com Música na Edição, disponível na nossa plataforma, mostra como escolher músicas e efeitos para guiar a interpretação do público, e não só para acompanhar o ritmo.
Os elementos do sound design na prática
Agora, vamos ver como cada camada funciona dentro da edição.
Diálogo e narração
Quando tem fala, ela é a protagonista. O resto do som se organiza em volta da voz, para que a mensagem fique clara. Por isso, o sound design começa antes da edição: um áudio bem captado poupa muito trabalho depois.
Se o áudio chegou com chiado, dá para limpar na edição. No Adobe Premiere, o efeito DeNoise reduz ruídos constantes. A aula Limpeza de Áudio Manual com DeNoise, da masterclass Tratamento de áudio no Adobe Premiere, mostra essa limpeza passo a passo.
Ambiência e room tone
A ambiência é o som do lugar onde a cena acontece. Uma rua tem carros e vozes ao longe, uma floresta tem pássaros e vento. Sem ela, a cena fica "oca", como se tivesse sido gravada no vácuo.
Um tipo especial de ambiência é o room tone: o som de fundo de um ambiente fechado quando ninguém está falando. Ele preenche os buracos entre as falas e evita que um silêncio absoluto denuncie o corte.
A ambiência também conecta imagens de apoio. Quando você cobre uma fala com B-roll, um som de ambiente discreto costura as cenas.
Para ver como montar essa base sonora em um filme curto, a aula Aplicando Efeitos de Ambiência é um bom ponto de partida.
Foley
Foley é o nome dado aos sons do cotidiano adicionados na pós-produção: passos, roupa se mexendo, uma xícara na mesa, a porta que abre. No cinema, muitos desses sons são gravados em estúdio, sincronizados com a imagem.
Na edição, você pode usar foleys prontos, de um banco de sons, por exemplo. O segredo está no sincronismo: o som do passo precisa bater com o pé no chão. O professor Mateus Ferreira mostra esse trabalho na prática em Aplicando os Footsteps e Aplicando Foley ao Filme.
Efeitos sonoros
Os efeitos sonoros (ou SFX, de sound effects) dão energia e reforçam momentos. Alguns dos mais usados em vídeos:
Impactos: sons fortes que marcam um corte seco ou a entrada de um título.
Risers: sons que crescem e criam tensão antes de uma virada.
Whooshes: passagens rápidas de ar, ótimas para transições e movimentos de câmera.
Nesse vídeo, a gente mostra quatro tipos de efeitos sonoros do cinema e como usar cada um na edição.
Também dá para criar os próprios efeitos. A aula Criando Efeitos Sonoros (Risers e Impacts) a partir da Própria Música, do curso Música para Editores, com OPEU, ensina a transformar um trecho da trilha em um riser afinado com a música.
Trilha sonora
A trilha define o clima. Uma mesma cena pode parecer engraçada, tensa ou emocionante, dependendo da música. Na edição, ela também orienta o ritmo: muitos editores cortam as imagens no tempo da batida. A masterclass Editando no Ritmo da Música mostra como fazer isso.
Temos conteúdo sobre isso na plataforma! No Música para Editores, você aprende a moldar a trilha ao tempo do corte, criar transições invisíveis e fazer remixes para os seus vídeos.
Antes de usar uma música, confira a licença. O Guia de Direitos Autorais e Licenciamento de Músicas, do mesmo curso, explica o que observar.
Mixagem
Mixagem é o equilíbrio final entre todas as camadas de som. É nela que você ajusta:
Volume: qual som fica na frente e qual fica no fundo.
Panning: a posição do som entre os lados esquerdo e direito, para acompanhar o que aparece na tela.
Frequências: cortes de graves ou agudos para um som não "brigar" com outro.
Pense em camadas: o que é mais importante para a cena fica em evidência, e o resto dá suporte. A aula Criando a Mixagem Final do Vídeo mostra esse acabamento.

Como começar no sound design
Bora colocar a mão na massa? Este roteiro funciona em qualquer programa de edição:
Use sempre fones de ouvido. Eles revelam detalhes, ruídos e cortes que a caixa de som do notebook esconde.
Monte a sua biblioteca. Separe os efeitos em pastas por categoria, como ambiência, passos, impactos e transições. As aulas Onde Encontrar Efeitos Sonoros e Catalogando e Organizando os Efeitos ajudam nessa etapa.
Faça um mapa de efeitos. Assista ao vídeo sem som e anote cada momento que pede um som: uma porta, um passo, um corte. A aula O Mapa de SFX ensina a montar essa lista.
Comece pela ambiência. Ela é a base, e os outros sons entram por cima.
Adicione foley e efeitos. Sincronize cada som com a ação na tela.
Ambiente os sons. Um efeito baixado de um banco soa "limpo" demais. Um pouco de reverb, o eco natural de um ambiente, faz o som parecer que está no mesmo lugar da cena.
Mixe. Ajuste volume, panning e frequências até tudo soar como uma coisa só.
Exporte com qualidade. Confira as configurações de áudio antes de exportar. A aula Como exportar com áudio em alta qualidade mostra o caminho.
O passo seis faz muita diferença. No Adobe Premiere, os efeitos Studio Reverb e Convolution Reverb simulam o tamanho do ambiente e a distância do som. Nesse vídeo, a gente mostra como usar o reverb para deixar um efeito sonoro mais realista.
Temos conteúdo sobre isso na plataforma! No Sound Design para Edição de Vídeo, você aprende foley, ambiência, mixagem e efeitos criativos sonorizando um filme do começo ao fim.

Bancos gratuitos de efeitos e trilhas
Para montar a biblioteca sem gastar, estes bancos são um bom começo:
Mixkit: efeitos sonoros gratuitos para projetos pessoais e comerciais, sem obrigação de dar crédito.
Pixabay: efeitos e músicas com a licença da Pixabay, que permite uso comercial sem crédito, mas proíbe revender os arquivos do jeito que estão.
Biblioteca de Áudio do YouTube: músicas e efeitos dentro do YouTube Studio. Algumas faixas exigem crédito na descrição do vídeo, e o filtro da biblioteca mostra quais.
E a aula Principais Bancos de Música mostra como achar a faixa certa nesses catálogos sem perder horas. Quando o projeto pedir um catálogo maior, vale conhecer bancos pagos como Artlist e Epidemic Sound.
Alunos(as) Premium têm desconto nesses e outros serviços de música e áudio no Clube de Benefícios da brainstorm.academy.
Perguntas frequentes sobre sound design
O que faz um sound designer?
O sound designer cria e organiza todos os sons de um projeto: escolhe efeitos, adiciona foley, monta ambiências e cuida da mixagem. Em produções menores, quem edita o vídeo costuma assumir essa função.
Sound design, design de som e sonoplastia são a mesma coisa?
Sound design e design de som são o mesmo conceito, em inglês e em português. Sonoplastia é um termo muito usado no rádio, no teatro e na TV para a aplicação de efeitos e trilhas, e muita gente usa como sinônimo. Na edição de vídeo, sound design costuma indicar o trabalho completo com o som, da escolha dos efeitos à mixagem.
Sound design serve para qualquer tipo de vídeo?
Sim. Vídeos para redes sociais, institucionais, casamentos, filmes e animações ganham com um som bem trabalhado. O que muda é a dose: um vídeo curto pode pedir só impactos e transições, enquanto um filme pede ambiência, foley e uma mixagem detalhada.
Onde aprender sound design?
Dá para começar praticando com efeitos gratuitos e com os vídeos do canal da brainstorm.academy no YouTube. Para um caminho completo, o curso Sound Design para Edição de Vídeo, com o professor Mateus Ferreira, mostra como sonorizar um filme inteiro, da busca dos efeitos à mixagem final.
Hora de dar play no seu sound design!
Sound design se aprende com o ouvido. Pegue um vídeo que você já editou, coloque o fone e refaça o som com ambiência, foley e alguns efeitos. A diferença aparece logo no primeiro play.
E, para ver onde o som entra no processo completo de edição, confira o nosso guia.
Leia também: Como editar vídeos: guia completo para iniciantes
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